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Em Portugal é necessário ter cuidados especiais com o tempo frio? 

 

Portugal é internacionalmente conhecido pelo seu clima ameno, sendo dos países da Europa com maior exposição solar. Apesar deste cartão de visita, o Inverno pode ser bastante rigoroso em algumas regiões do País.

Na verdade, não é rara a ocorrência de temperaturas negativas em Portugal, principalmente nas regiões interiores do Norte e Centro. Além disso não são só as temperaturas negativas que podem afetar o desempenho do betão. Abaixo dos 5°C já é necessário tomar medidas preventivas. 

 

Existem cimentos mais indicados do que outros? 

 

A hidratação do cimento é uma reação exotérmica, ou seja liberta calor. Cimentos com maior teor de clínquer são por esta razão mais adequados para betonagens em tempo frio. Já os cimentos com adição de cinzas volantes são desaconselhados para este tipo de aplicações. Inclusivamente a Especificação LNEC E-464 para a classe de exposição ambiental XF – Ataque pelo gelo/degelo considera os cimentos com maior teor de clínquer como sendo o ligante de referência.

Dentro dos cimentos com maior teor de clínquer, os de mais elevada classe de resistência são também os mais indicados devido à velocidade a que se processa a hidratação, à maior libertação de calor e ao desenvolvimento mais rápido da resistência.

  

De que forma o tempo frio pode prejudicar o betão? 

 

O betão, apesar da sua reconhecida robustez, estabilidade e resistência, nos primeiros dias de idade passa por uma fase de grande sensibilidade em que as temperaturas baixas têm efeitos particularmente graves. Por este motivo é necessário tomar algumas medidas e protegê-lo nesta sua fase mais crítica.


É necessário evitar que a temperatura do betão seja demasiado baixa que impeça a hidratação dos grãos de cimento. Este impedimento irá atrasar o desenvolvimento da resistência e do módulo de elasticidade, que pode colocar em causa a geometria final da peça em situações de desmoldagem antecipada.

 

           

Em simultâneo poderá ainda haver o perigo de a água de amassadura congelar e expandir, impedindo a obtenção do volume íntegro e contínuo que se pretende.

 

O betão endurecido, embora já resistente, ainda é sensível aos ciclos gelo/degelo da água retida nos seus capilares, seja a de amassadura, seja a proveniente das condições de exposição ambiental (chuva, orvalho, etc.). Estes ciclos são responsáveis pela instalação de tensões cumulativas responsáveis pela fissuração, desagregação e destacamento do betão.

    

Estas questões não dizem respeito ao betão pré-fabricado?              

 

Tanto o betão pronto, como o produzido em obra e o pré-fabricado são sensíveis à ação das temperaturas baixas. Esta ação é mais evidente nos dois primeiros casos, uma vez que grande parte das betonagens decorre ao ar livre. O betão no estado fresco ou nas idades jovens fica mais exposto ao efeito pernicioso do frio.

No entanto, apesar de quase todas as fábricas de pré-fabricados terem espaços cobertos para a produção, muitas delas encontram-se localizadas em regiões cuja temperatura ambiente facilmente atinge valores negativos. Não é raro encontrar pré-fabricadores para quem a temperatura a que o betão se encontra exposto é um problema a que têm de estar especialmente atentos.

 

Que medidas preventivas se podem pôr em prática? Que cuidados se devem ter?              

 

O prescritor deverá identificar com exatidão as condições de exposição ambiental particularmente se houver risco de o betão endurecido ficar exposto à ação do gelo/degelo – condições de exposição ambiental XF.

Nessas ocasiões o produtor deverá equacionar a utilização de adjuvantes introdutores de ar que permitam acomodar as variações de volume da água no interior do betão e selecionar agregados de comprovada resistência ao gelo-degelo (EN 1367-2).

 



O produtor pode desencadear inúmeras atuações que permitem aumentar a temperatura do betão. Desde logo a começar pela composição que deverá privilegiar cimentos com maior teor de clínquer e de resistência mais elevada em detrimento dos cimentos com cinzas volantes. O aumento da dosagem de cimento, a utilização de um adjuvante acelerador de presa e a redução da dosagem total de água são outras atuações que concorrem para este objetivo. Outra medida comum, principalmente na pré-fabricação, é a utilização de água quente na produção do betão.

Por parte do construtor, deverá planear-se as betonagens para dias menos frios, ou então para os períodos do dia em que a temperatura seja mais elevada. Na impossibilidade de evitar os períodos mais frios, o ideal será conferir a melhor proteção possível ao betão cobrindo-o com mantas de proteção e recorrer a ventiladores de ar quente ou radiadores para evitar a diminuição da sua temperatura. O aquecimento a vapor é também uma contribuição adequada não só na fase de aplicação mas principalmente durante o processo de cura.



 

É fundamental retirar todo o gelo das cofragens antes da aplicação do betão.

 

Sempre que possível optar pelo isolamento das cofragens, por instalar aquecedores que permitam garantir uma temperatura do betão nunca inferior a 4-5° C e por cobrir o betão com mantas de proteção. Caso nada disto seja possível será mais prudente optar pela indesejada interrupção da betonagem.

A remoção de cofragens deve ser realizada mais tarde do que em condições normais e de forma cuidadosa de modo a não quebrar os cantos das peças betonadas. Para informação mais detalhada sobre proteção e cura do betão, recomenda-se a consulta da NP EN 13670 – Execução de Estruturas de Betão.

  

           

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